Memória    
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Exercício físico pode melhorar memória e aprendizado,

Pessoas que fazem muito exercício físico podem ter ganhos maiores que um corpo em forma. Segundo cientistas da universidade Oregon de Saúde e Ciência, nos EUA, os exercícios também ampliam a capacidade de aprender e de memorizar.

O estudo, publicado na revista "Neuroscience", mostra que o exercício aumenta a quantidade de BDNF (sigla em inglês para fator neurotrófico derivado do cérebro), uma substância que regenera e cria neurônios na parte do cérebro especializada em memória e aprendizado, o hipocampo.
Os pesquisadores, entretanto, pedem que os atletas não aumentem suas cargas de exercícios de uma hora para outra porque os resultados sobre o aumento do BDNF ainda precisam de mais estudos para serem confirmados como algo benéfico.

Motivos para a precaução

As razões para essa precaução quanto aos benefícios do exercício físico intenso para o cérebro se devem aos resultados do estudo, que utilizou ratos criados por 30 gerações para ressaltar sua disposição por exercícios, como correr no aro giratório de suas gaiolas.

Ao mesmo tempo em que tiveram um aumento de 171% nos índices de BDNF após sete noites se exercitando, esses ratos tiveram uma performance horrorosa para encontrar a saída de um labirinto, em comparação com ratos comuns.

"Esses estudos estão focados nos efeitos do exercício em si nas substâncias conhecidas por proteger e fortalecer as sinapses (ligações neuronais), mas uma grande quantidade delas não é necessariamente uma coisa boa", disse Justin Rhodes, co-autor do estudo.

Razões não-biológicas

A falta de habilidade desses ratos com maior produção de BDNF no labirinto pode estar baseado em razões não-biológicas, como o fato de estarem tão concentrados no exercício físico que não se interessem por nenhuma outra coisa, mas também pode ser que o aumento na produção do fator se deva a um aumento do estresse no hipocampo.

Assim, o aumento na produção de BDNF seria uma reação de proteção aos neurônios, não de melhoria ou benefício puro e simples. Segundo Rhodes, ninguém ainda avaliou se a alta carga de exercícios pode matar ou danificar os neurônios no hipocampo.

"O que sabemos é que, quando alguém se exercita, produz mais BDNF. Pode ser que essas coisas aconteçam para limpar a bagunça. Se for isso, é bom não esperar que corredores compulsivos se beneficiem disso."
Além de aumentar a produção de BDNF, os cientistas comprovaram que há um aumento no número de neurônios no hipocampo dos ratos "atletas".

Vícios

Quando os ratos com tendência a correr são afastados da possibilidade de se exercitar, áreas do cérebro responsáveis pelo desejo por comida, sexo ou drogas se torna mais ativa. Isso ajudará os pesquisadores a estudar a relação entre os desejos naturais, como a fome, e o vício por drogas em razão de situações patológicas.

"Queremos caracterizar o que diferencia a compulsão por drogas das compulsões naturais no nível genético e dos substratos neuronais, o que poderia nos auxiliar a desenvolver uma terapia farmacêutica para combater essas patologias", disse Rhodes.

Fonte: Folha On Line
Data: 4/2/2004
 
   
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